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Titulo: |
Para antes que a gente vire pó (breviário de errância) |
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Edição: |
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Páginas: |
181, Ilustrado |
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Sinopse: |
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1o Parte do livro disponível no link:
http://pt.scribd.com/doc/73959796/Para-antes-que-a-gente-vire-po
...Há alguns anos havia jurado em nome do olhar de ternura de meu cachorro que ao completar sessenta anos inventaria, por minha própria conta, uma espécie de ano sabático e de aposentadoria eterna. Mudaria de nome, apagaria todos os vestígios de minha história, queimaria minha biblioteca e me mandaria definitivamente pelos estradões do mundo numa tentativa de “esconjurar o mal”. Chega! Dizia. Essa
sociedade manicômio, desprovida de propósito e vazia de sentido (como diria Schopenhauer) já não é mais suportável. Preciso cair fora, poupar‑me das horas e dos urros dessa legião de políticos desgraçados, borrar para sempre de meu cotidiano a ideia senil de cidadania. Nunca mais ouvir falar em religião, em pátria, em trabalho e em responsabilidades. As entranhas do inferno deveriam ser mais aprazíveis que o drama desse
planeta de múmias onde a mediocridade, os livros sagrados, a políticagem e principalmente lendas como a de Caim vinham transtornando tudo e todos durante séculos. Desde longa data sonhava em dizer adeus a esse mundo simplório e contaminado pela suposta inveja e pelo hipotético e criminoso legado de Caim,
daquele filho bastardo de Adão e Eva que, num momento de verdade escarnecida e de lucidez extremada, teria eliminado 1/5 da humanidade com uma única bordoada. Se retardei meu projeto e se tive que mutilá‑lo foi porque no meio do caminho haviam as correntes invisíveis, as víboras furiosas, as cercas e
os arames farpados. Como saltá‑los sem perecer?
...Caim foi nosso primeiro herói iconoclasta, nosso primeiro homem de exceção, nosso titã e justiceiro pré-historico, o mais macho dos homens e o primeiro sujeito a dizer audazmente um não, tanto a Deus como a toda imbecilidade e toda neurose viciada e repetitiva que viria atormentar a família nuclear pelos secúlos afora. A proposição socrástica do "conhece-te a ti mesmo" gravada numa parede do templo de Delos, não é nada diante da pergunta de Caim:
"Por que esse babaca e não eu? "...